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Paulo, o jornalista...

QUANDO GURI, SEMPRE que me perguntavam a quem puxei no hábito (e gosto) pelos livros, nunca sabia responder. Na casa materna, eu não tive quem me influenciasse a gostar tanto de ler. Minha mãe só cursara o ensino fundamental; já meu pai, embora tivesse estudado até o segundo ano do antigo ginásio, jamais o vi lendo qualquer coisa na vida. Então, como isso começou, quer dizer, minha fome pelos livros?

A resposta: não sei!

Mas eu cresci. Muita coisa mudou desde aqueles saudosos dias de guri. Só não no que tange aos livros, que sempre estiveram presentes na minha vida. O que mudou, na verdade, foi a forma como leio hoje, bem como a qualidade do que e quando leio. Deixe-me ser mais claro. Quando guri, eu lia de tudo, só que muito dos livros que passaram por minhas mãos eu os li sem a devida maturidade para uma compreensão efetiva. Alguns livros memoráveis tiveram uma segunda, e até terceira releitura de minha parte, então já adulto e com uma percepção mais apurada das belas nuances desses amigos queridos. Como também a qualidade dos livros melhorou: não preciso dizer para minguém que existem livros que jamais deveriam ser escritos, ou lidos, de tão ruins!…

Então, como escolher verdadeiros bons livros, nos dias de hoje, em que há uma infinidade de títulos à disposição?

É aqui que entra meus dois novos velhos amigos: Paulo e Fábio.

...e Fabio, o escritor barato

De Paulo Nogueira, aprendi a buscar e ler livros que tratam da realidade dura e crua bem como aqueles que encerram a sabedoria de grandes escritores que primaram pela compreensão das questões da vida. Sua visão apurada de jornalista experiente, aliada ao imenso arcabouço de leituras que fez e faz, me fizeram desejar ainda mais aprofundar-me em livros importantes da literatura, tanto pela sua robustez literária como por legar aos nossos dias a realidade de uma sociedade dinâmica e em constante mutação que foi à época em que foram produzidos. Livros como A Família Moskat, de Singer, obra que aborda a trajetória de uma abastada família judaica e seu lento declínio ao longo dos cinquenta anos que antecederam à 2ª Guerra Mundial; os Capitães da Areia, do colosso baiano Jorge Amado, um verdadeiro livro-denúncia do descaso social vivido por moleques de rua nos trapiches soteropolitanos.

Já com Fabio Hernandez tenho aprendido a cultivar uma literatura mais sinestésica, livros que buscam olhar para dentro da natureza humana, a perscrutar o cinismo,a cobiça, o hedonismo, como se fossem agentes destiladores dos não virtuosos apetites humanos, dos arquétipos e estereótipos, da eterna e muitas vezes infecunda busca por si mesmo e sua realidade interior. Como exemplo cito o O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, livro que trata da busca pelo poder, pelo dinheiro, pela estabilidade, as metas de Jay Gatsby, ainda que esses alvos sejam distorcidos por sua própria ignorância e pela corrupção encravada na sociedade à qual ele está inserido. Um verdadeiro clássicos da busca pelo amor perdido…

Mas são tantos, há aqui obras monumentais como os Irmãos Karamazov, de Dostoievski, os livros de Flaubert, a exemplo de Mme. Bovary, e Eça de Queiróz e seu Os Maias, importante obra da literatura portuguesa, que descreve uma sociedade de transição, caracterizada por uma aparência de despreocupada alegria de viver, escondendo um não disfarçado mal do século…

Esses são Paulo e Fabio. Dois apaixonados pela leitura, pelos grandes clássicos. Estar com eles é sentir-se intimado a buscar a profundidade da cultura, das páginas escritas com esmero e talento, próprio dos grandes escritores, que juntos formam uma plêiade incomum, de mortais que, na verdade, nunca morreram.

 

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