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Posts Tagged ‘Cultura’

Como não se render ao ebook?A PRIMEIRA BIBLIOTECA que conheci, no final dos anos 80, foi a portentosa estante de minha madrinha Júlia. Talvez nem pudesse ser assim chamada, mas para um garoto de uns sete, oito anos de idade, não fazia muita diferença.

Consterno-me ao relembrar os tantos fins de semana que passei ali, debruçado sobre a velha mesa de mogno, lendo obras que até hoje me encantam, seja por sua beleza poética, seja pela “viagem” que me proporcionaram. Mas, este hábito “diferente” intrigara os outros garotos da rua. As minhas amizades ora conquistadas não compreendiam como alguém poderia abrir mão de outros divertimentos, próprio de garotos como eu e, segundo eles, bem mais legais, para se enfurnar em tantos livros. “Ler é chato”, mais de uma vez ouvi. “Eu sinto é sono quando começo a ler”, outro dizia.

Não que eu deixasse de me divertir com as nossas peladas, as caçadas aos passarinhos na mata que margeava o riacho próximo da casa, ou simplesmente jogando conversa fora. Mas…

Mas ali nasceu uma paixão diferente, forte, que veio a tornar-se uma necessidade, uma satisfação interna de ouvir uma voz ouvida apenas com os olhos e a imaginação. Ali, de fato, comecei a amá-los. Os livros…

Vieram outras bibliotecas – agora de fato, que frequentava com verdadeiro apuro; geralmente saía com alguns volumes debaixo do braço, uma ridícula e presente sensação de alegria interior por logo, logo, folhear aquelas páginas. A magia se renovaria: passadas muitas e muitas páginas, percebo que o meu sentimento pelos livros continua aceso. Mudaram-se apenas as fases e, claro, as formas.

Explico.

Tive e tenho muitas “fases” como leitor. A fase dos gibis, a fase das leituras mais sérias, a fase dos romances de “amores incontidos”, a fase propriamente literária. Recordo-me particularmente, numa dessas fases, que era aficionado pelas sagas “A queda do Morcego”, e “A morte do Superman” para mim as melhores coleções de gibi sobre Batman e Superman já criadas. Nessa fase também lia muito “Tex”, gibi em preto e branco passado na época do Far West. Apesar para exemplificar a fase.

Também a forma modificou-se. Boa parte dos meus 32 anos de idade conheci os livros como ainda são, de papel. Gostava de mirar os livros, perfilados nas muitas estantes que visitei. Também confesso que cometi o velho clichê de cheirar a página de um livro recém comprado. Desses dois hábitos (admirar os livros na minha estante e cheirá-los) apenas o primeiro mantenho, já que o segundo, devido ao envelhecimento natural do papel e à poeira, não deixaria nada feliz a minha alergia.

Porém, acrescento que, embora me considere muito tradicional em algumas coisas, uma coisa que não sou é ludita. Por isso abracei com gosto os livros na sua forma digital, os ebooks. A mesma admiração por uma estante de madeira eu sinto ao contemplar a estante virtual de meu iPhone. Com a diferença que esta estante anda comigo o tempo todo, pois cabe no bolso da roupa. Outro fator positivo é que nunca li tanto como agora. Enquanto o livro de papel, dependendo do tamanho, se tornava um incômodo, o ebook permite a leitura em qualquer lugar, o que faz com que qualquer tempo ocioso eu esteja adiantando as páginas.

Nas muitas discussões sobre a ainda fértil batalha livros de papel versus ebooks, há muitos amigos meus que batem o pé a favor do livro de papel. É comovente os argumentos usados para manter o velho hábito. Até compreendo sua ardorosa paixão pelo livro tradicional, mas como não se render à facilidade, à economia de espaço, a excelente portabilidade de um ebook?

 

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Faz bem para o coração...

LER, PARA MIM, sempre foi algo muito fácil. Não porque tive muita influência em casa ou por qualquer outro motivo que não fosse o prazer de viajar pelo universo maravilhoso da página impressa.

Dentre as muitas aventuras em que me lancei nesses anos todos, posso dizer (sem falsa modéstia) que ler “A Cabana”, de William P. Young, foi uma experiência muito interessante e diferente. Não pela história – até comum –  contida nas páginas desse pequeno grande livro; não por encará-lo como mais um livro de auto-ajuda, que, ao meu ver, não é a única classificação que posso fazer em “A Cabana”. Mas justamente por ser um livro escrito (acredito!) com o coração para tantos corações que desaprenderam a arte da reflexão.

Não é novidade que passamos a vida inteira nos abarrotando de conceitos, de preconceitos, de achismos e suas conjugações. Como também transformamos, nessa caminhada, algumas coisas bem gostosas de se fazer, num mero clichê. Como o curtir a solidão. A solidão boa, é claro. E onde quero chegar com isso? Justamente no ato de esvaziar-se a si mesmo, de uma forma tal que possamos enxergar nossa própria imagem, sem máscaras, sine cera, ou sem cera, como diziam os atores helênicos. Enxergar-se tal como somos talvez seja a tarefa mais difícil, sobretudo nesse nosso mundo moderno, onde reina o culto da superficialidade e dos relacionamentos via redes sociais.

Mas onde ficamos com tudo isso? Por que o medo de ouvirmos aquela vozinha que vem lá de dentro, que costumamos sufocar com o som do iPod, com a correria da era moderna, com a internet e a tv invadindo este momento a sós consigo mesmo?

Ler “A Cabana” me fez refletir em tudo isso. Foi bom. Com certeza o será para quem tiver a coragem de se ver além de apenar olhar-se.

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charlles campos

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