A [minha] casa favorita

recordações perdidas no tempo…

LENDO A QUATRO MÃOS o livro de Tommy Tenney, A Casa Favorita de Deus, me vem à memória que eu mesmo tenho mantido na minha mais terna lembrança, a casa favorita dos meus dias meninos.

Era um lar bem simples. Pequena para caber todas as figuras paternas e filiais, ainda assim, éramos felizes. Apesar das muitas “farturas” sabíamos extrair de cada experiência dura da vida um motivo para divertimento, o combustível necessário para que a infância seja sempre este momento de elegias e epifanias…

Minha casa favorita permanece, para sempre, na minha memória fraternal. Nela vivi dias tranquilos, embalados pela brisa vespertina que refrescava as minhas primeiras experiências literárias, então já bem adiantadas em profundidade. Na sombra da grande mangueira, sentado na terra fria, vi as horas voarem, quase imperceptivelmente, tão compenetrado estava nas páginas que devorava com facilidade e rapidez. Descobri mundos diversos e fascinantes, intensamente coloridos, apesar de narrados a tinta preta. Sonhei amores improváveis, deitado na grande pedra que muitas vezes me consolou, apenas contemplando o lento vagar das nuvens do céu.

Mas nem tudo foi poesia, na casa. Impingido da dor da perda, vi o lar materno sendo destroçado, eternamente manchado pela crueza do ódio e do rancor, maculado pelos erros vários, donde somos origem e fim. A casa favorita também foi e é berço de solidão e perda…

O menino de outrora também amara muito, ali. Mesmo que esses amares fossem apenas existentes em meu próprio coração. Foram tantas as vezes que amei, sem que “minhas” amadas nem sequer soubessem desse sentimento que invadia minha paz e trazia o tormento do ser só.

Assim como inocente guri que era, na casa, também com o fim daquele sonho, aprendi o amargo legado da vida adulta: meu coração, antes tomado dos mais lânguidos sentimentos, fora invadido por outros, mais negros e amargos. Então, como amar?

Penso nos tantos desamores vividos. E me vem à memória a seguinte declaração, feita pelo eterno mestre Pitágoras: “Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo.”

Não poderia ter dito algo mais sábio.

 

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