Feeds:
Posts
Comentários

83A9C389-BFAC-46EF-8782-7E1D229999C0

Título: O signo dos quatro

Título original: The Sign of Four

Autor: Sir Arthur Conan Doyle

Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges

Editora: @editorazahar

Ano de lançamento: 1890

Ano desta edição: 2015

Páginas: 184

Classificação: ⭐️⭐️⭐️

_______________________________________________

“elimine todos os outros fatores, e aquele que resta deve ser a verdade” (posição no kindle 114).

sherlock holmes figura no ideário literário como sendo um dos mais famosos e interessantes detetives particulares. sua espantosa memória, aliada aos trejeitos meio canhestros, sua figura meio bonachona, o chapéu xadrez e o inseparável cschimbo o fazem ser uma figura curiosa, sagaz e de uma inteligência sem igual. os mistérios que cercam os crimes que desvenda estão repletos de pistas e detalhes que só mesmo a velha lupa do britânico é capaz de capturar e desvendar.

em “o signo dos quatro”, encontramos o relato do dr. watson, fiel parceiro do detetive inglês, preocupado com holmes, que se encontra num verdadeiro estado de tédio intelectual e que, para amenizar dias tão cismarentos, faz uso de generosas doses de cocaína. 

contudo, logo essa calmaria tem fim quando o estranho relato de miss morstan devolvem-lhe o ânimo e o levam, juntamente com watson, à caça por pistas do sumiço de um tesouro a cuja parte tem direito. entremeando a narrativa entre as pistas encontradas e as frases de efeito de holmes, vamos sendo levados pela prosa ágil e detalhada de doyle, que mescla homens com pernas de pau, pigmeus, traições, assassinatos, perseguições frenéticas pelo tâmisa, até culminar num desfecho inusitado!

livros policiais sempre estiveram presentes nas minhas leituras. gosto muito do comissário brunetti, a criativa personagem da escritora donna leon, do cormoran strike de galbreith e, recentemente, do basco pepe carvalho, senhor em uma grande série de livros do escritor barcelonês manuel vasquez montalbán. já assisti a muitos holmes mas é o primeiro livro do detetive que leio. certamente não será o último. vale!

Anúncios

0F785625-EEBD-4ECE-ABD3-0C3D62944641.jpeg

Título: O avesso da vida

Título original: The Counterlife

Autor: Philip Roth

Tradução: Beth Vieira

Editora: @companhiadasletras

Ano de lançamento: 1986

Ano desta edição: 1987

Páginas: 343

Classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

_______________________________________________

“A construção de um avesso da vida que é o antimito dela própria estava no cerne mesmo do sionismo. Foi uma espécie de fabuloso utopismo, um manifesto em prol da transformação humana tão exagerado – e, desde o princípio, tão implausível – quanto qualquer pessoa, se ele quisesse” (pág 158).

o avesso da vida traz o relato da vida de henry, irmão mais novo de nathan zuckerman, o escritor auter ego de roth desde “o escritor fantasma”. henry é um dentista bem sucedido, pai de três filhos e de uma vida sem dificuldades. henry mantém secretamente um caso com sua assistente, e é nesse cenário que o acompanhamos. mas, uma doença cardíaca o obriga a fazer uso de remédios que acabam por torná-lo impotente, estado que o deixa tão desesperado que decide se arriscar a uma operação cirúrgica de alto risco.

sendo o ponto de partida do romance, “o avesso da vida” foi escrito sem qualquer linearidade. ao invés, trilha por vários sub-narrativas abarcando os mais diferentes desdobramentos. num deles, henry escolhe ser cirurgiado mas acaba não resistindo; numa outra, sobrevive, e tomado de grande depressão, parte para Israel onde encontra na fé o consolo e objetivo de vida; já num revés diferente é o próprio nathan – o personagem central da trama – que se submete à cirurgia e acaba morrendo, e nessa hipótese é henry quem narra a história. 

é claro que com tantas possibilidades, não poderiam faltar os temas polêmicos em roth: por exemplo, na primeira narrativa, um henry certinho decide arriscar a vida numa cirurgia complexa não pelo desejo de estar com sua esposa e filhos, mas porque não suporta não ter a amante. mas há o problema do desamparo da sua família, o que nos faz pensar no porquê alguém arriscaria o futuro da própria família movido pela frivolidade de uma relação extraconjugal. numa segunda narrativa, a que fala sobre a fuga de henry para Israel (aqui também entra o problema da falta de responsabilidade com a família), mas se centra no confronto de nathan, que é judeu americano, com a fé judaica pura. roth retrata o encontro de zuckerman com um escritor de Telaviv, como sendo o confronto entre a ortodoxia judaica e a decisão de nathan de negar a sua “identidade” judaica. as tensões aumentam quando zuckerman conhece o mentor de henry, um certo mordecai lippman, que busca através da luta armada a concretização da hegemonia judaica sobre os árabes. várias das melhores passagens do livro estão nessa parte do romance!

em narrativas posteriores, nathan confronta o catolicismo casando-se com uma inglesa católica, ainda que não praticante. aqui há trechos sublimes, quando zuckerman vai refletindo sobre quanto ele é intolerante diante dos ritos católicos, o que o deixa espantado em descobrir que não é o típico judeu tolerante que imaginava ser. isso vai diretamente conflitar com sua nova esposa, aqui chamada mary, e que, diante dos arroubos de nathan, decide dissolver a relação.

“o avesso da vida” foi, na verdade, o primeiro livro de philip roth que li, já no distante setembro de 2015. sendo meu primeiro contato com a escrita de roth (leria outros tantos roth depois) pouca coisa me ficou da leitura, até porque não pude apreender na sua inteireza a proposta do livro (reler autores tem seu quinhão). poder reencontrar esse livro na medida em que estou avançando nesse projeto pessoal de ler toda a obra de roth que estão disponíveis e na ordem cronológica de publicação só me trouxe deleite e prazer. que venha “operação shylock”!

2CB9B41B-F277-4134-88E5-759315B771AE

Título: Um coração singelo

Título original: Um coeur simple

Autor: Gustave Flaubert (FRA)

Tradução: Luís de Lima

Editora: @roccodigital

Ano de lançamento: 1877

Ano desta edição: 2014

Páginas: 88

Classificação: ⭐️⭐️⭐️

_______________________________________________

“Seus lábios sorriam. Os movimentos de seu coração afrouxaram aos poucos, cada vez mais vagos, mais suaves, como uma fonte seca, como um eco desaparece; e, ao exalar o último suspiro, ela acreditou ver, nos céus entreabertos, um papagaio gigantesco, pairando acima de sua cabeça” (Posição no Kindle 524).

Felicidade, a personagem desta novela, passa meio século servindo a mesma patroa, numa vida de abnegação e dedicação em detrimento de sua própria vida. Isso porque, numa série de perdas, se vão o noivo, a quem ama verdadeiramente, o sobrinho, morto numa cidade distante por uma doença avassaladora, a patroa, a cuja morte precoce da filha ainda jovem, vem definhando desde então, e a um velho amigo que simplesmente a esquece. Todos mortos, perdidos, esquecidos. Existências que se desligaram da pobre Felicidade, dona de um coração terno e sincero. Como é comum na sociedade em que vive, Felicidade encontra no seio da religião o consolo necessário para suportar tantos desmandos e infelicidades…

Certa feita ela ganha de presente um papagaio – Lulu era seu nome – a quem dirige toda a afeição que seu bom coração pode despender. Cuida no animal com tamanho esmero que, à morte de Lulu, Felicidade se opõe a enterrá-lo: manda empalhar a ave e a guarda num quarto onde costuma manter as quinquilharias que foi acumulando e de onde pode, vez ou outra, admirar a ave.

Tamanha afeição que a figura estática de Lulu toma, na cabeça de Felicidade, a forma do Espírito Santo, e a veneração pela ave redobra quando nossa infeliz personagem convence o padre local a permitir que a ave ganhe um lugar numa procissão. Vendo o seu objeto de veneração no lugar – que a seu desejo – lhe cabe, o estranho mistério da (des)construção da imagem pelo ser acontece, e é quando Flaubert usa da sua maestria para adornar essa pequena obra com um belíssimo “finale”, digno por si só.

Faz alguns anos li Madame Bovary, um dos primeiros clássicos que enfrentei. É um grande livro, merecidamente incluído na série A da literatura mundial. Por tabela, soube que Julian Barnes, um autor que me apetece, escreveu seu romance “O papagaio de Flaubert” baseado nessa pequena grande novela e é maravilhoso esse bate-rebate de obras literárias que se justapostam num emaranhado de desdobramentos e efeitos que qualquer leitor adora. Preciso ler o livro de Barnes. E preciso revisitar Flaubert. Vale!

2A5C159D-114E-462A-A8DB-3F5A60EE888A

Título: O monge negro

Título original: Tchiornii Monarkh

Autor: Anton Tchekhov (RÚSSIA)

Tradução: Moacir Werneck de Castro

Editora: @roccodigital

Ano de lançamento: 1894

Ano desta edição: 2014

Páginas: 88

Classificação: ⭐️⭐️⭐️

_______________________________________________

“Repito: se quer ser saudável e normal, marche com o rebanho” (Posição no Kindle 348).

“Agora me tornei racional e sólido, mais igual a todo mundo: sou uma mediocridade, para mim é difícil viver” (Posição no Kindle 478).

Foi no já distante junho de 2016 que li a pequena coletânea “A corista e outras histórias”, do escritor russo Anton Tchekhov. Na ocasião, tinha me prometido investir mais em outros livros seus, magra e parca minha incursão na obra de um dos maiores novelistas da literatura russa. Como é perceptível, o lapso é enorme. Ai de mim!

Em “O monge negro”, conhecemos a rápida trajetória de Kovrin, um intelectual russo que, devido a um esgotamento, passa uns dias na pequena chácara de um antigo tutor seu. Numa noite, Kovrin vê a estranha figura de um monge, a cuja face enegrecida o deixa inquieto. O monge traz em sua estranha fala, a certeza de que o personagem é um ser excepcional, iluminado, um verdadeiro gênio. É a primeira de muitas entrevistas que terá com o estranho monge, até que, meses depois de já estar casadp com Tânia, a filha de seu antigo mestre, é alertado de que tem conversado “sozinho” pelas madrugadas…

Não há como não causar estranheza um enredo assim, inclinado para o fantástico. Mas, numa reeleita, é possível perceber que o escritor russo foi bastante além de uma mera historieta curta e simplória, mas trata dos processos internos da mente humana, matéria que ganharia notoriedade bem mais tarde, com o advento da psicanálise.

Ainda assim, o grau de significação é bem mais abrangente: desde um relato simbólico da “grandeza” que cada pessoa percebe em si, até questionar até que ponto a loucura pode de alguma forma trazer sentido ao ato de existir.

Tolstói, o maior escritor russo de todos os tempos, abarcou em boa parte de sua obra, o atraso tecnológico de seu país, predominantemente agrícola, diante de nações que já dominavam técnicas e máquinas. Não paro de pensar que Tchekhov tenha usado essa espécie de alegoria como um retrato satírico dessa condição…

Como se vê, uma novela com ares pueris, é capaz de suscitar tamanhas significações, o que só me traz a certeza de que preciso ler mais Tchekhov. Vale!

FD334E60-3A81-4057-9D91-3BC3E9139E5C

Título: O pai da menina morta

Autor: Tiago Ferro (BRA)

Editora: Todavia

Ano de lançamento: 2018

Ano desta edição: 2018

Páginas: 176

Classificação: ⭐️⭐️⭐️

_______________________________________________

“O amor deveria garantir que as duas partes desaparecessem juntas, ou no máximo em um intervalo de doze segundos” (Posição no Kindle 1889).

“Menina-Deus. Piscando, envolvendo tudo, ganhando e perdendo forma sem parar. Na palma da sua mão e engolindo o mundo, todos os planetas. A perda dos sentidos e de qualquer mínima noção de espaço-tempo e a visão que está ao redor e dentro e fora dos outros e de você mesmo” (Posição no Kindle 2161).

O pai da menina morta é um livro construído e cosido com tudo que envolveu a perda da filha, morta aos 8 anos, vítima de miocardite. Revela o luto vivido pelo próprio autor e cada página meio que faz o leitor a atravessar esse vale de lágrimas e confusão emocional quando alguém que amamos se vai.

Tudo ali é comovente. As discussões sobre os intrincados jogos de memória, a sexualidade, o dia da perda e as múltiplas confissões do pai da menina fazem do livro uma inspirada leitura, como se a cada parágrafo pudéssemos ouvir o iminente clamor por explicações, por conjecturas e, no final, a resignação em ter de seguir em frente. É quando a partir desse momento, a “menina-deus” tomasse, enfim, seu lugar definitivo e de lá, mantesse acesa e viva a chama da presença, canalizada diretamente para o coração do pai. Que livro!

BC4027B0-953D-4FCB-98F6-732909693042

Título: Flores para Algernon 

Título original: Flowers for Algernon

Autor: Daniel Keyes (EUA)

Tradução: Luisa Geisler

Editora: Editora Aleph

Ano de lançamento: 1959

Ano desta edição: 2018

Páginas: 288

Classificação: ⭐️⭐️⭐️

____________________________________________________

“Quem pode me dizer que minha luz é melhor que a sua escuridão? Quem pode dizer que a morte é melhor que a sua escuridão?” (Posição no Kindle 3234).

Charlie Gordon é um homem de cerca de 30 anos que desde os 17 é empregado de uma padaria onde limpa e faz pequenas entregas. Desde rapazinho não tem qualquer contato com os seus pais e sua irmã mais nova, por quem foi abandono. O motivo: Charlie tem retardo mental, possui um QI de 68 e tarefas aparentemente simples são um desafio nababesco para ele. Seu sonho é “ficar inteligente” para poder ler e escrever, porque sente que isso faria as pessoas gostarem mais dele. 

O livro desenvolve a possibilidade de uma operação que possa aumentar a inteligência vencendo, assim, até mesmo os mais sábios cientistas. É uma boa história de ficção científica, embora não tenha nada que nos lembre os feitos interestelares de “Guerra nas estrelas”…

Flores para Algernon é um livro já sessentão: escrito no final dos anos 50, mas que possui ainda um vigor de levar o leitor a reflexões sobre os efeitos (e reveses) que a inteligência em demasia faz com uma pessoa, em especial a quem foi desprovido de um mínimo de capacidade intelectual. É um livro onde o humano sobrepuja a ciência, onde o saber estará sempre aquém do afeto e do amor. Charlie aprende a duras penas que uma grande genialidade não pode comprar o apreço dos amigos, a admiração da família, o amor da mulher amada. Ele inveja ter a inteligência de um rato, de nome Algernon, que sempre o vence numa corrida de labirinto feita como parte dos testes do laboratório onde Charlie é submetido à experiência. E à medida que sua inteligência aumenta, as lembranças vão aflorando, mais ele percebe o imenso “buraco” causado por essa busca por afeto. Por isso o livro tem uma tristeza contumaz: Charlie, em suas duas versões, apesar de fazer valer sua empatia natural, recebe em troca a crueldade de pessoas que não sabem compreender as mudanças pelas quais passou.

O livro de Keyes é um brinde nesse mar de papel impresso inútil. Porque, muito mais que discutir a forma como vemos o diferente, o aumento da inteligência em si, revela o dilema da solidão e da necessidade de relacionar-se. Vale!

36F7A2F4-B731-4A9A-8B22-02C7F0C52353

Título: Lição de anatomia 

Título original: Anatomy Lesson

Autor: Philip Roth (EUA)

Tradução: Lya Luft 

Editora: L&PM

Ano de lançamento: 1983

Ano desta edição: 1984

Páginas: 210

Classificação: ⭐️⭐️⭐️

____________________________________________________

“O que impede minha cura, isso que eu faço, ou aquilo que não faço? O que essa doença quer de mim, afinal? Ou sou eu que quero alguma coisa dela? A interrogação não tinha objeto útil, mas o único motivo da vida dele era aquela procura constante do significado ausente. Se tivesse mantido um diário da dor, a única anotação teria sido aquela palavra: EU” (Pág 169).

Lição de anatomia fecha o assim chamado trio de romances reunidos sob o título de “Zuckerman acorrentado”. É um livro sobre dor e escrever. É um livro que une a piada, o sarcasmo ao sombrio desejo de buscar sentido em existir.

Num parapelo, Zuckerman é Roth e Carnovsky é O Complexo de Portnoy. Só que Zuckerman é ainda mais excessivo e agresivo que Roth. Está com 40 anos, teve dois casamentos falhados, tem várias namoradas mas uma dor cervical, com irradiação para os ombros, impede-o de escrever. A dor crônica toma boa parte da vida de Zuckerman; até para ter relações, o escritor tem que ficar deitado no chão, com a cabeça apoiada num livro, enquanto a namorada faz todo o trabalho.

Ele já consultou todos os médicos e similares e são tantos as tentativas de tratamento que já está dependente de analgésicos opióides, álcool e marijuana – e é quando decide cursar medicina. No fundo, pensa que só assim conseguirá resolver a sua dor, mas também porque chega à conclusão que a profissão médica tem muito mais significado do que a de escritor. É um cenário de queixas e diagnóstico difícil em que o sofrimento físico, paralisante, é mais uma vez pretexto para um longo monólogo sobre a identidade, a criação, o sucesso e o fracasso, a solidão, o sexo e a literatura. Ou seja, as grandes questões que atravessam a obra de Roth, aqui apresentadas entre doses de grande ironia e amargura e com uma nostalgia assente na impressão de que talvez o melhor da vida já terá passado, irremediavelmente, e de que o que sobra poderá não passar de uma tentativa de resgatar qualquer coisa do que ficou para trás para poder continuar a existir.

A dor de Zuckerman é sustentada por uma sucessão de perdas. Depois da morte do pai, acontece a da mãe, vítima de um tumor no cérebro; seguem-se o silêncio do irmão, a falta de estímulo criativo, o medo de não conseguir repetir o sucesso, a sensação de já não pertencer a uma geografia que era muito concreta e que passou a ser vaga até se diluir. “Zuckerman ficara sem tema. Sem saúde, sem cabelo e sem tema”, lemos. Tudo parece remeter para um livro insuportavelmente amargo, mas Roth consegue transformá-lo num exercício de divertida e corrosiva auto-reflexão, feito no estilo despudorado de sempre, marca pessoal desse que se tornou um dos maiores expoentes da literatura mundial. Vale! Principalmente pela belíssima tradução da escritora Lya Luft, bem mais superior que a da Companhia das Letras.

charlles campos

Impressões literárias e fotogênicas

r.izze.nhas

Resenhas e aleatoriedades literárias

Mundo de K

Impressões literárias e fotogênicas

livros que eu li

Impressões literárias e fotogênicas

%d blogueiros gostam disto: