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Lista #1001livrosparalerantesdemorrer ✅

Título lido: As aventuras de Pi

Título original: Life of Pi

Autor: Yann Martel

Tradução: Maria Helena Rouanet

Lançamento: 2001

Esta edição: Nova Fronteira, 2012

Páginas: 424

Classificação: 4/5

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“A iminência da morte já é algo terrível, mas é ainda pior esperar por ela: um tempo em que toda a felicidade que já tivemos e toda a felicidade que poderíamos vir a ter se tornam claras para nós” (Posição no Kindle 2534/46%).

“Lutamos, lutamos, lutamos. Lutamos a despeito do preço que pagamos pela batalha, das perdas que sofremos, da improbabilidade da vitória. Lutamos até o fim. Não é uma questão de coragem. É algo da nossa constituição, uma incapacidade de abandonar” (Posição no Kindle 2548/46%).

Para quem possa já ter assistido, A vida de Pi é exatamente o livro que originou o filme homônimo, com algumas poucas variações. Conta a grande reviravolta na vida de Piscine Molitor Patel, o Pi, um garoto de 16 anos, filho de um funcionário de um zoológico na Índia e que, devido a crises financeiras, viaja com toda a sua família e a bicharada do zoológico para o Canadá. O navio que os transporta, o Tsimtsum, acaba naufragando e Pi se vê como único sobrevivente, preso num bote salva-vidas com uma zebra machucada, uma hiena, uma orangotango e um tigre-de-bengala, que tem o nome de Richard Parker.

É óbvio que na situação em que estão logo as leis da natureza imperam e Richard Parker, faminto, mata e come os demais bichos. Pi então se vê numa situação difícil, tendo de lutar para se manter vivo no barquinho que divide com o felino faminto. Logo os dias vão se sucedendo, quase infinitos, e ensinando a Pi como lidar com uma situação tão complexa, tendo de buscar os meios para que ele – e Richard Parker – possam estar alimentados e satisfeitos, o que consegue com maestria, apesar das provações diárias. Com uma convivência tão inusual, nasce uma integração entre Pi e seu tigre, momentos de beleza filosófica, de metáfora religiosa. É quando o homem, diante da escassez e do constante medo da morte, encontra a forca para continuar a sobreviver, a extrair importantes lições que certamente servirão para dar um novo olhar para a vida. O livro parece bobo e infantil e quem viu o filme, pode achar que é mais um entretenimento para crianças, mas esconde nas belas imagens da película e nas marcantes passagens do livro que até mesmo o horror da perda é canteiro fértil para belas flores.

Gosto particularmente de livros que falam de náufragos. “Cem dias entre céu e mar”, de Amyr Klink, é um bom exemplo. Nos anos 80, o navegador brasileiro atravessou o Atlântico num barco a remo saindo da Namíbia e chegando na Praia da Espera, nos arredores de Praia do Forte, na minha doce Bahia (quando li o livro, em 1998, havia dito a mim que um dia pisaria na Praia da Espera, promessa realizada há 4 anos atrás). Klink, apesar de já ser à época um navegante experiente, conta o dia-a-dia dessa aventura, as dificuldades naturais e causadas, os momentos de dor e superação, a crescente expectativa de conseguir chegar vivo e reencontrar a família, enfim, é um livro extremamente poético, que sugiro ser lido. Muito diferente de Klink, que tinha recursos e certo domínio da situação, Pi tem sua aventura marcada pela tragicidade, pelo aprendizado e, porque não dizer, pela múltipla religiosidade que renovaram a esperança e os muitos animais marinhos que foram seus companheiros de viagem, junto com Richard Parker. Tanto o livro como o filme, ambos valem!

Isolado

Excursion into Philosophy, E. Hopper, 1959.

Pablo isolado. Não por ordem ou recomendação, como tem sido ultimamente. A casa vazia é uma realidade tão conhecida por ele: sombras que se derramam sobre as pilhas disformes de livros, duas ou três garrafas de vinho quase vazias, o violão mudo encostado na parede ao lado das tentativas bestiais de produzir a música que nunca se cala em sua mente. O silêncio quase nunca quebrado.

É esta a vida que tem levado desde que decidiu se tornar um fantasma. Isolado dos poucos amigos que ainda tentam lhe falar, movidos por algum sentimento de solidariedade pelo amigo estranho e excêntrico. Isolado da família que há tempos renunciara e de quem perdeu o contato. Isolado dos sonhos que se tornaram eternos por jamais se tornarem reais, o que não deixa de ser algo poético e necessário para seu canhestro senso de arte.

Ele olha pela janela. O vidro fosco de tanta poeira denuncia a rua vazia e monótona. A leve brisa que faz as folhas dos flamboyants dançarem é a única evidência de vida. Pablo sacode a xícara já quase vazia a cujo fundo circula uma fina camada de um café frio e escuro. Ele não sabe o que fazer.

São crescentes os ecos do vazio. Já não se contenta com os livros que vem lendo, já se cansou de ouvir as playlist montadas e comprimidas no celular, já não vem se emocionando com os filmes que sempre o deixaram arrasado e renovado e nem mesmo o vinho barato tem o esperado sabor de embriaguez necessária. A ruína das ruínas, o sombrio palimpsesto onde jaz o destino fatal do qual não sabe se livrar.

Pablo abre o álbum de recortes, busca com mãos trêmulas a seção onde estão gravuras de Hopper, o grande pintor da solidão americana. Quer contemplar uma pintura em especial. Se chama “Excursion into Philosophy”, pintado em 1959. Mostra um homem sentado na cama. A seu lado um livro recentemente abandonado, posto ao lado da mulher adormecida e esquecida. A atenção do homem está inteiramente voltada para o halo de luz à sua frente, levando-o a uma espécie de transe contemplativo.

Pablo sabe que aquele homem está lutando para colocar a filosofia iluminadora em prática, mas o quadro o leva a outro mote interpretativo. Sobre justamente as coisas amadas que, de uma hora para outra perdem seu condão de preencher a vida. Sobre ser locupletado pelo amor, pela arte, pela vida. Mas, de alguma forma, o sentido de tudo se perde, numa decadência silenciosa e solitária. Não mais cores, não mais luzes, não mais razão. Barreiras se erguem com a ausência presente, fossos abertos pelo intrigante calar-se. Até que chega o isolamento, essa hermética armadilha a cujas cadeias Pablo se tornara um fantasma.

Título lido: Inimigo do povo

Título original: En folkefiende

Autor: Henrik Ibsen

Tradução: Pedro Mantiqueira

Lançamento: 1882

Esta edição: 2011

Editora: L&PM

Páginas: 176

Classificação: 3/5

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“Que sentido têm as verdades proclamadas pela massa, massa esta que é manobrada pelos jornais e pelos poderosos?” (Posição no Kindle 2173/68%)

Esta foi uma leitura que, apesar de literária, fi-la com objetivo acadêmico, devido a um trabalho para a faculdade. Por ser tão interessante e instigante, resolvi incluí-la nestes meus modestos registros de leituras.

“Inimigo do povo” é uma peça teatral escrita pelo dramaturgo e escritor norueguês Henrik Ibsen, no final do século XIX. É um título que chama a atenção, sobretudo no meio jurídico (e não menos para o leitor que busque livros com ensinamentos) pela ressonante querela que traz abordando o conflito entre o individual e o coletivo.

O enredo mostra a forma como a população de uma pequena cidade norueguesa, detentora de um balneário muito procurado por pessoas doentes que buscam tratamento, transforma o único médico local – e funcionário do balneário – de cidadão honrado a um execrado persona non grata. Isso porque ele, Thomas Stockmann, emitiu parecer desfavorável à qualidade das águas do balneário, que descobriu estarem contaminadas pelos muitos curtumes que circundam a cidade.

Obviamente que o desagrado da população foi aproveitado de forma inteligente pelos detentores do poder de manipulação da opinião pública, preocupados com a perda do lucro do balneário, neste caso o prefeito, que é irmão do próprio Stockmann e a imprensa local que, uma vez antevendo o profundo colapso para o turismo caso o relatório do dr. Stockmann viesse ao conhecimento, buscaram primeiro dissuadi-lo, sem sucesso. Começam, então, um movimento de difamação ao médico, que ganha força com a adesão da manipulada população da cidade inteira. Stockmann perde o emprego, a casa onde mora, o apoio de todos, à exceção de sua família e do capitão Horster, mas terá de lidar ainda com o furor da massa manipulada, a quem, com um discurso pungente no fim do livro, tenta abrir os olhos…

O livro em si, peça teatral formada por cinco atos, pode ser considerado um puro exercício político, engajado, um enfrentamento individual a uma coletividade obliterada da verdade e cegada pela ideologia, objetivando melhorar a condição sui generis e das instituições. Ibsen, de quem nunca havia lido nada, conduz muito bem os diálogos, gera no tempo certo o ápice de um crescente suspense e amealha com as palavras contundentes e indignadas de Stockmann esta pequena obra teatral e porque não poética. A maior lição? Há esperança sempre, mesmo em tempos tenebrosos, como estes que vivemos.

Lista #1001livros ✅

Título lido: Não tenho medo

Título original: Io non ho paura

Autor: Niccolo Ammaniti

Tradução: Roberta Barni

Lançamento: 2001

Esta edição: 2003

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 208

Classificação: 3/5

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“- E onde estamos então?

⁃ Num lugar onde a gente espera.

⁃ E o que a gente espera?

⁃ Ir para o paraíso” (pág. 137).

Pelos olhos de um menino de nove anos, extrai-se o valor da verdadeira amizade e a dor da decepção. Como não se comover com o sacrifício alheio? Como encarar o fato de que às vezes aqueles em quem mais confiamos são os primeiros a nos desapontar? A verdadeira face de quem nos cerca nunca é o que parece. Por trás de um sorriso há sempre intenções que desconhecemos. E essa descoberta pode ser muito dolorosa.

Tal realidade, despida de eufemismos, percebida pelo pequeno Michele, o nosso personagem e narrador de “Não tenho medo”, à medida que o livro avança, termina por arrancá-lo do universo ingênuo que o envolve, fazendo-nos cúmplices de sua angústia, de seu esforço e de sua esperança de que tudo termine bem.

O livro traça uma quase trágica história num pequeno vilarejo no sul da Itália. Tendo como pano de fundo a Itália dos anos 70, é uma história curta mas pungente. Atinge o leitor de modo certeiro, tornando impossível largar o livro. Eu mesmo li quase de uma sentada, tamanho o desejo de ver desvendado o suspense que o livro vai construindo. Suas duzentas e poucas páginas, escritas com um bom dinamismo, contêm os elementos essenciais para tornar a leitura fluida. O maior mérito do autor Niccolò Ammaniti não está exatamente no enredo do livro, mas em levantar questões perturbadoras, diante da ética típica de uma criança, fazendo-nos perceber as raízes de nossa própria moralidade. É impossível não indagar a si próprio “o que eu faria no lugar do pequeno Michele?”

E o final do livro? Talvez seja um dos melhores que já tenham sido criados. Evitando estragar a surpresa, dá para dizer que Ammaniti é mestre em criar suspenses e situações que vão se tornando cada vez mais urgentes. É exatamente o que ocorre no fim de “Não tenho medo”. Página a página o leitor sente o fôlego roubado, como se as letras e linhas impressas o agarrassem pelo pescoço. E tudo termina de repente, mas de modo perfeito. Mais não digo para não estragar a saga de quem queira ou tenha a oportunidade de lê-lo, mas adianto que, apesar de causar-me estas reflexões, dificilmente é um volume que eu leria, por faltar, em minha modesta opinião, um estofo mais robusto, mais denso. Paciência.

Lista #1001livros ✅

Título lido: A festa do bode

Título original: La Fiesta del Chivo

Autor: Mario Vargas Llosa

Tradução: Paulina Wacht e Ari Roitman

Lançamento: 2000

Esta edição: 2012

Editora: Alfaguara

Páginas: 456

Classificação: 5/5

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“Foi sacudido por um frêmito de raiva. Podia dominar os homens, por de joelhos três milhões de dominicanos, mas não podia controlar o próprio esfíncter” (Posição no Kindle 2204/31%).

“(…) seus olhos corriam pelo abdômen um tanto flácido, o púbis embranquecido, o pequeno sexo morto e as pernas lisas. Aquele era o Generalíssimo, o Benfeitor da Pátria, o Pai da Pátria Nova, o Restaurador da Independência Financeira. Este era o Chefe a quem o seu pai havia servido com devoção e lealdade durante trinta anos, a quem dera o mais delicado do presentes: a própria filha de quatorze anos” (Posição no Kindle 6999/97%).

Rafael Leônidas Trujillo Molina, que figura como o personagem central de “A festa do Bode”, existiu de verdade, mas sua existência é uma mancha na humanidade jamais esquecida. Foi ele o responsável pelas mais dramáticas e absurdas atrocidades ocorridas na República Dominicana nos 31 anos em que foi ditador na ilha caribenha, de 1930 a 1961, quando foi assassinado.

Trujillo, chamado de Benfeitor por um inescrupuloso séquito de serviçais, não só matou e torturou seus oponentes. É também responsável por milhares de estupros e outras selvagerias que o tornam, se dúvida, uma das faces do mal no mundo, desde que este existe.

Vargas Llosa esteve na ilha, onde pode entrevistar várias pessoas que foram, de certa forma, vítimas do “Bode”(outro apelidado dado ao ditador, de conotação sexual). O resultado foi este livro surpreendente, que narra em dois braços principais o último dia de vida de Trujillo, o 30 de maio de 1961, e as lembranças de Urania Cabral, 35 anos depois, quando refaz o doloroso caminho da memória até a nefasta noite em que foi violentada pelo ditador. Vargas Llosa, o notável escritor de “Travessuras da Menina Má” e “Elogio da madrasta”, descreve com maestria soberba nos três pontos de vista em que o livro vai nos levando: seu último dia de vida, sob a ótica do próprio Trujillo, um setentão que sofre com problemas na próstata o que lhe causa uma desagradável incontinência urinária; sob a ótica do grupo de antitrujillistas que viria a matar o ditador, desde a concepção do plano até a caçada orquestrada por Ramfis Trujillo, o filho mais velho, que os submeteram a brutais torturas até matar todos; e da própria Urania, que narra para a irmã e sobrinhas de seu pai, o ex-senador trujillista Agustín Cabral, a fatídica noite em que Trujillo a violenta, sob consentimento deste.

O livro é forte, não mede palavras para descrever as torturas, os assassinatos (o famoso caso das irmãs Mirabal são um exemplo), os estupros de meninas que chegaram às mãos do Bode ou por força ou concedidas por pais ansiosos por agradar o presidente, bem como todo o aparelho do Estado criado por Trujillo para alicerçar sua ditadura. Naturalmente, a pequena ilha caribenha acabaria chamando a atenção da ONU e dos Estados Unidos além de nações próximas como Cuba, vindo a sofrer, por isso, pesadas sanções comerciais e diplomáticas devido aos desmandos e violações aos direitos humanos que Trujillo praticara.

Acabei sendo levado ao livro por outro da soberba lista de 1001 livros essenciais para ler antes de morrer, no caso o “A fantástica vida breve de Oscar Wao”, também mini-resenhado aqui, onde o autor, o escritor Junot Diaz, faz diversas alusões ao regime trujillista e ao próprio livro de Llosa. Nada como ser levado pela maré embevecedora da literatura…

“A festa do Bode” é um livro essencial, uma verdadeira reportagem literária sobre a ditadura nefasta de Trujillo. Suas páginas mostram sem dó o lado obscuro de um regime duradouro, nascido e mantido quase intacto numa improvável ilha, tão distante e díspar de países tradicionais, com mais história, como a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini. É inegável que Llosa, um sagaz reconstrutor de história, como fez com a Guerra de Canudos em “A guerra do fim do mundo” (livro que aliás, teve mais repercussão sobre o episódio que o próprio relato de Euclides da Cunha) fez um trabalho primoroso, ainda que sobre um assunto que ainda causa tanto horror e estupefação. Vale!

Título lido: Na praia

Título original: On Chesil Beach

Autor: Ian McEwan

Tradução: Bernardo Carvalho

Lançamento: 2007

Esta edição: 2007

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 136

Classificação: 4/5

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“Tudo aquilo que ela precisava era a certeza do amor dele, e da sua garantia de que não havia pressa, pois tinham a vida pela frente. Amor e paciência – se pelo menos ele tivesse conhecido ambos ao mesmo tempo – certamente os teriam ajudado a vencer as dificuldades. E que dizer das crianças que poderiam ter tido, e da menininha com um arco no cabelo que poderia ter se tornado sua filha querida? É assim que todo o curso de uma vida pode ser desviado – por não se fazer nada” (Posição no Kindle 1621/97%).

apesar de ter sido publicado em 2007, “na praia” é um livro comovente e atual, um passo a mais nas batidas histórias de amor. narra a noite de núpcias do jovem casal edward e florence que estão passando sua lua de mel num hotel à margem do canal da mancha.

um livro com um mote assim pode rapidamente ser inferido, imaginado, não fosse a familiar habilidade de ian mcewan em transformar enredos literários em uma gradual construção de suspense psicológico. foi assim com outros livros seus que li: o jardim de cimento, reparação, amor sem fim, enclausurado, todos bons e honestos romances.

em “na praia” o leitor vai sendo conduzido à crescente tensão entre o jovem casal, que passadas oito horas desde a cerimônia que os uniu, vão sendo dissecados pela narrativa em terceira pessoa, à expectativa, aos desejos, às naturais incertezas, à falta de habilidade para o sexo (pelo menos os dois assim pensam um do outro), o medo de florence ante o desconhecido, o anseio meio machista e ousado de edward em consumar o ato. é nesta atmosfera meio romântica, meio tensa que somos apresentados a um pouco da história dos dois e de como se uniram num amor meio imaturo, mas ainda assim sincero, envolto pelas rígidas regras sociais, numa época (anos 1960) em que a educação para moças – sobretudo a sexual – era bem distinta dos garotos.

mcewan sabe trabalhar com o psicológico de seus personagens e com cenas e flashbacks. ele desvenda as profundas engrenagens do pensamento dos dois, desnuda suas motivações, traça perfis, expõe motivos. mas, ainda que o romance pareça trágico diante da iminente ruptura em mais uma história de amor que se rompe à beira do mar, é a grande lição que o livro traz pelo escritor que faz com que pensemos em como a vida, essa breve e ininterrupta caminhada entre as incertezas da felicidade, tem um tantinho do nosso dedo nas escolhas feitas ante às tantas bifucarções que se nos apresenta. grande mcewan! e que siga o baile, ou a vida!

Lista #1001livros ✅

Título lido: A fantástica vida breve de Oscar Wao

Título original: The briefe wondrous life of Oscar Wao

Autor: Junot Díaz

Tradução: Flávia Anderson

Lançamento: 2007

Esta edição: 2009

Editora: Record

Páginas: 336

Classificação: 4/5

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“fora apenas por causa do amor dela que ele fizera o que havia feito, algo que os dois não poderiam mais impedir, contou-lhes que se eles o matassem, muito provavelmente não sentiriam nada, tal como os seus filhos, até estes estarem velhos e fracos e prestes a ser atropelados por um carro; daí, sentiriam a presença de oscar, que os estaria esperando no além, e lá, ele não seria um gordo nerd, nunca amado por uma mulher, mas sim um herói, um vingador” (pag 319).

a lista “1001 livros para ler antes de morrer” definitivamente não decepciona: com algumas exceções, como as páginas exageradamente dedicadas aos romances de hemingway, de quem li alguns livros e, à exceção de “paris é uma festa”, detestei, tenho tido momentos de enlevo com os títulos que vou descobrindo.

este “a fantástica vida breve de oscar wao”, é prova desses felizes encontros, romance do escritor dominicano junot díaz, é uma obra-prima em vários sentidos. consegue fazer o leitor transitar facilmente por várias e diversas emoções que vão desde o riso, o espanto e a tristeza. narrador por yunior, americano também de origem dominicana, conta a história de oscar de león e sua família, a cujas gerações são marcadas por um tipo de maldição local, o fukú. oscar é o típico nerd fã de ficção científica, que sofre de obesidade, joga inveteradamente rpg, que nas horas vagas escreve romances onde aborda seus gostos excêntricos. desde bem jovem sonha encontrar uma namorada que o aceite e com quem quer perder sua virgindade, e é na verdade este o verdadeiro motivo de sua perdição.

a família de oscar desde seu avô são atormentados pela sina do amor e da ruína. e em oscar esse canhestro e supersticioso destino parece se encerrar quando nosso personagem se apaixona por uma mulher da vida que aparentemente parece não nutrir o mesmo por ele.

o livro, ganhador do pulitzer de 2008, tem uma veia cômica muito divertida, algumas gírias e expressões espanholas sob a voz de yunior, mas tanto encanta como também levam o leitor a se horrorizar com as atrocidades cometidas pelo nefasto tirano trujillo, que dominou a república dominicana com mão de ferro durante os anos 1930 a 1960, que deixou um saldo inimaginável de mortes a seu mando. essas referências históricas fazem do texto de díaz um livro deveras essencial, principalmente por conduzir o interesse do leitor, esse incansável conduzido a novas leituras, a um livro que aborda diretamente a história do fascínora dominicano, a saber “festa do bode”, do grande escritor peruano mario vargas llosa. estava mesmo na hora de revisitar este ilustre mestre! a literatura é mesmo uma coisa assombrosa… segue o baile!

charlles campos

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